Quatro doses de Leminski

Eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora

quem está por fora
não segura
um olhar que demora

de dentro de meu centro
este poema me olha
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Já me matei faz muito tempo
me matei quando o tempo era escasso
e o que havia entre o tempo e o espaço
era o de sempre
nunca mesmo o sempre passo

morrer faz bem à vista e ao baço
melhora o ritmo do pulso
e clareia a alma

morrer de vez em quando
é a única coisa que me acalma
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Amarga mágoa
o pranto tem
por que cargas d'água
chove tanto
e você não vem?
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Isso de querer ser exatamente
aquilo que a gente é ainda vai
nos levar além
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